terça-feira, 8 de novembro de 2011

"Um Beijo Dado Mais Tarde"



Há uns dias atrás que me perguntava se tinha perdido aquela capacidade deliciosamente inocente de olhar para as nuvens, não como simples nuvens, mas como histórias suspensas e em movimento no céu.
Quando me deparei com esta fotografia da autoria de Vítor Oliveira Jorge, tive momentos de felicidade. Ali, sem esforço, estava uma história: o beijo “Um beijo dado mais tarde”. Sonhei!
Esta fotografia devolveu-me as minhas memórias de menina, a vontade de me deitar no chão e olhar o céu em busca de histórias… esta fotografia, perpetua o momento extraordinariamente intenso que antecipa o beijo…

A Fotografia pode ser vista em http://olhares.aeiou.pt/um_beijo_dado_mais_tarde_foto4954407.html

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Caixinha Chinesa

Pablo Neruda, Carta de Amor de Pablo Neruda a Matilde (26 de Outubro de 1952)

"1 Caixa Chinesa de cartão e seda para guardar
e esconder as mágoas
1 Cavalinho Branco para que venhas a correr ao meu lado
1 Búzio das ilhas para que me ouças
na tua orelha noite e dia
1 Frasco chinês para que me guardes uma lágrima
1 Caixinha chinesa para que me guardes um sorriso
1 Cantarinho de porcelana para que bebas e cantes
1 Peixinho de Itália para que vá e volte
e
muitos livros para que não os leias
são os presentes de hoje."


Esta é uma das cartas mais serena e apaixonada de Neruda a Matilde. É a carta que desejaria guardar anos após ano dentro dos muito diários que irei escrever....
Quem não ousa sonhar que alguém ama o nosso sorriso ao ponto de o conseguir conservar numa caixinha, abrindo-a sempre que necessitar do conforto que as palavras nem sempre oferecem.
Fernando Pessoa dizia que todas as cartas de amor são ridículas. Talvez sejam. Numa época em que já não existem (?), atrevo-me a dizer que as cartas de amor são as palavras que um dia vou desejar ler ao adormecer, enquanto o cheiro do papel envelhecido me relembra que um dia alguém ousou amar.
T.